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Palavra da Presidente

 

 

 A necessidade de informação ao público sobre as células tronco de medula óssea e de cordão umbilical, as únicas que estão sendo aplicadas  nas várias especialidades da  Medicina.

Em 2000, o mundo científico da área de saúde, estava voltado tanto no trabalho quanto financeiramente, para o término do Projeto Genoma Humano, com a expectativa que com isso conseguiríamos a cura de muitas doenças. 

Para espanto de muitos não foi o que aconteceu. Consequentemente tivemos que buscar uma solução e em 2001 ocorre a publicação da definição de célula tronco, a mídia mundial ficou interessada em divulgar acontecimentos sobre este tema, fato este que causou muita confusão entre os profissionais e os leigos por falta de informação adequada.

Nesta época estava dando continuidade ao meu doutoramento na UNIFESP, orientada pela grande mestra Alice Teixeira Ferreira. Ela me dizia que os grandes mistérios da saúde podiam ser lidos por nós meros mortais, através do entendimento dos sinais das células através do íon cálcio, conforme publicou o cientista Bers em 2002: “os íons cálcio são os músicos que orquestram as várias funções celulares”.

Docente há 25 anos, abracei a causa de minha mestra e comecei a passar  este entendimento aos alunos na Universidade,  aos profissionais escrevendo um livro didático e coordenando o curso de Pós Graduação, mas percebi com o passar do tempo que não era suficiente. Não satisfeita comecei a procurar a mídia e a realizar em vários locais do País palestras  didáticas, isto é,  transformei a nomenclatura da Biologia Molecular em uma linguagem que as pessoas da área pudessem entender para desta forma despertar o interesse na  importância de aprender a sinalização celular, pois  só nela é que encontraremos os caminhos de como melhorar a qualidade de vida de um paciente terminal.

Acho que você que está lendo meu relato deve imaginar que foi neste momento que os obstáculos começaram a surgir:

A mídia me achava desinteressante, os meus colegas médicos, biomédicos, bioquímicos, odontólogos, veterinários, entre outros, não aceitavam a minha proposta de que precisávamos  voltar a sentar nos bancos da escola de maneira que envolvesse todas as especialidades; então em 2003 decidi realizar no Hospital São Paulo o primeiro Seminário Interdisciplinar, pelo que fui considerada insana. A despeito disto, seu resultado foi surpreendentemente bom.

A partir daí  comecei a realizar muitas entrevistas em algumas emissoras de TV, rádio e revistas, mas as gravações da TV GLOBO não passavam. Até que um dia em uma entrevista em que ganhei o prêmio de melhor entrevista científica do ano de todas as emissoras de TV, fui assistida pelo Procurador Geral da República Dr. Cláudio Fonteles e fui convocada para ir a Brasília algumas vezes, para explicar a ele sobre as células tronco, pois não estava satisfeito com a forma como a Lei da Biossegurança foi sancionada no País, em seu entendimento,  esta Lei era uma jogada política e não para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Se os cientistas estão preocupados com a cura das doenças de forma imediata,  devemos incentivar a coleta de células tronco do cordão umbilical e da medula óssea, fontes que além de estarem sendo aplicadas nos seres humanos com bons resultados estão dentro da ética.

Só em 2007 o CAS - Células-tronco: Atualização em Saúde, atingiu seu objetivo,  as  parcerias  com o Banco de Cordão Umbilical Cryopraxis, com o Setor de Terapia Celular da disciplina de Cirurgia Cardiovascular da UNIFESP, a ONG VIQUI e a fundação do IPCTRON - Instituto de Pesquisa de Células Tronco, entidade sem fins lucrativos onde sou a Presidente.

Este marco será comemorado dia 2 de junho no I SIMPÓSIO DO INSTITUTO DE PESQUISA DE CÉLULAS TRONCO – IPCTRON, no Anfiteatro do Hospital São Paulo, onde daremos a continuidade ao nosso objetivo, que é oferecer informação adequada aos profissionais de forma interdisciplinar, pois só assim conseguiremos melhorar a qualidade de vida dos pacientes imediatamente.

Profª Dra. Lilian Piñero Eça 
Biomédica, doutorada em Biologia Molecular pela UNIFESP 
Presidente do Instituto de Pesquisa de Células- Tronco - IPCTRON